Educação: Questão de Estado

A educação não é uma questão do Tarso, da Yeda, do Britto, do Olívio ou do CPERS. É uma questão do Estado brasileiro. Se não, vejamos.

Tivemos um presidente que, ao tomar posse, disse ter se preparado para o cargo durante 24 anos. Mas, esta preparação não passou por nenhum curso de língua portuguesa, de inglês, de etiqueta, de administração, nada. Um mau exemplo para a juventude brasileira. Ainda temos que ouvir a imprensa dizer que ele não precisou estudar. Deveriam dizer: imaginem se ele tivesse estudado, ele teria deixado algo para o Brasil do amanhã. Alguns “companheiros” até dão a entender que o estudo seria um estorvo para a atuação do Presidente.

A Presidente da República comemora com grande excitação o Brasil se tornar a 6ª economia mundial, mas não se envergonha do país ter a 84ª colocação no IDH ou ter 20 ou 30 milhões de analfabetos ou ter, segundo alguns, 80% de analfabetos funcionais.

Esta mesma autoridade reconhece que, a China cresce 10% ao ano porque preparou mão de obra 10 anos antes. Qualquer educador brasileiro vem clamando por isso e os empresários dizem que o Brasil poderia estar crescendo bem mais do que os míseros 3% e não o consegue porque não tem mão de obra qualificada, leia-se, educação. Por isso, temos que exportar empregos nobres(matérias primas) e mandar os brasileiros cortar cana ou varrer as ruas.

Não existe qualquer planejamento estratégico de longo e médio prazo para a educação brasileira. Pelo contrário, nosso ex-Ministro da Educação (Haddad) disse que vai deixar o cargo, pois “não tem mais qualquer objetivo a alcançar na educação”. É evidente, que um ex-Ministro que não sabe nem organizar um exame nacional, não pode ter outros objetivos. Se o país fosse sério, esta pessoa deveria ser demitida no mesmo dia, aliás, nunca poderia ter sido nomeada para tal cargo. E o que disseram nossas entidades educacionais? O que disseram sobre isso o CPERS, o SINEPE, o SINPRO? E as Universidades? Todos quietos, coniventes e omissos.

Aliás, como nos outros Ministérios, qualquer “companheiro” pode ser Ministro da Educação. Hoje é Ministro da pesca, amanhã dos transportes, depois da saúde, depois é conselheiro da Petrobrás, sequer sabe o que é um hidrocarboneto, ou pega uma diretoria de Furnas Elétricas, nem sabe enunciar a lei de Ohm. Quando se trata do ministério da Educação não precisa nem formação didático-pedagógica. Novamente, onde está o CPERS, o SINEPE, o SINPRO, a ANDES? Algumas destas entidades se envolvem com política partidária, outras, como as Universidades, são completamente omissas.

Somos uma nação com milhares de excelentes alfabetizadores, no entanto, deixamos proliferar e aplicar um construtivismo retrógrado, condenado no mundo inteiro porque só produziu analfabetismo e atraso. Dias atrás, com satisfação, encontrei uma alfabetizadora do tempo em que o aluno saía da 1ª série lendo e escrevendo e hoje ele chega a 8ª série não sabe nem empunhar a caneta. Esta professora se sentia envergonhada do nosso país.

Por fim, nossa sociedade materialista, valoriza a pessoa pelo que ela ganha. Então, um país que aceita pagar 20 vezes mais a um delegado de polícia do que a um professor, não tem como prioridade a formação mas a repressão dos defeitos da falta de educação. Uma sociedade que aceita pagar R$ 13.000,00 a um segurança do senado, com formação de 2º grau, e não paga mil reais a um professor é porque o ensino não vale nada. Em resumo, quando concordamos em pagar a um magistrado 30 vezes mais do que a um professor, algo está errado. Na Coreia do Sul ele ganha o mesmo que um professor professor.

Isso tudo mostra que a educação, neste país, não é prioritária. Aliás, pensadores julgam ser esta uma estratégia de sociedade. É fácil escravizar um cidadão ignorante. Qualquer político “vivo” engana milhões de eleitores analfabetos, basta um golpe midiático ou uma proposta assistencialista e, pronto. Este eleitor se contenta com pouco: uma bolsa, uma quota, um crescimento de 3% está ótimo, encher a cidade com semáforos, resolve o problema do trânsito. Já o eleitor culto analisa opções, propostas, elevadas, passagens de nível, túneis, passarelas, deslocamento do crescimento da cidade em outras direções, etc. Por isso que se diz: o conhecimento liberta e a ignorância escraviza.